Publicado em 26 de Janeiro de 2017

Vacinas e Gestação em tempos de Febre Amarela

O ideal é que todas as mulheres sigam corretamente o calendário de vacinação, antes de engravidarem.


O ideal é que todas as mulheres sigam corretamente o calendário de vacinação, antes de engravidarem. Assim, já estariam imunizadas contra as principais doenças e passariam uma gestação tranquila e sem riscos. 

O calendário consiste em administrar três doses da vacina dT (dupla adulto contra difteria e tétano), com intervalos de dois meses entre as mesmas. Para melhor proteção ao bebê, a terceira dose deve ser aplicada até duas semanas antes do parto. 

No calendário de vacinação da gestante, pode ser incluída vacina contra hepatite B, desde que indicada pelo médico ginecologista. 
Não há nenhuma evidência de que a administração em gestantes de vacinas de vírus inativados ou de bactérias mortas e de vacinas constituídas por componentes de agentes infecciosos acarrete qualquer risco para o feto (Manual de Vacinação, 2001).

Gestante não vacinada

Esquema básico: consta de três doses, podendo ser adotado um dos seguintes esquemas:

a) as primeiras duas doses com intervalo de dois meses (mínimo de um mês) - aplicando-se a primeira o mais precocemente possível - e a terceira, seis meses depois da segunda; caso só haja tempo para aplicação de duas doses, a segunda deve ser aplicada 20 dias, ou mais, antes da data provável do parto (esquema 0, 2, 8).

b) três doses, de dois em dois meses (intervalos mínimos de um mês) - aplicando-se a primeira dose o mais precocemente possível; caso só haja tempo para aplicar duas doses, a segunda deve ser aplicada 20 dias, ou mais, antes da data provável do parto (esquema 0, 2, 4). Por motivos de ordem operacional, tem-se optado por um ou outro esquema nas diferentes regiões do país.

Gestante com o calendário em dia

Esquema básico: Se nunca foi vacinada ou se a história vacinal for desconhecida ou não-conclusiva, aplicar três doses da vacina dupla dT, começando na primeira consulta do pré-natal. Pode ser adotado um dos dois seguintes esquemas: a) três doses aplicadas com intervalo de dois meses, mínimo de um mês, entre a primeira e a segunda doses, e de seis meses entre a segunda e a terceira (esquema 0, 2, 8); b) três doses aplicadas com intervalos de dois meses, mínimo de um mês, (esquema 0, 2, 4). Nota: Se não for possível aplicar as três doses durante a gestação, a segunda deve ser aplicada 20 dias ou mais antes da data provável do parto. O esquema de três doses, neste caso, deverá ser complementado posteriormente.

Reforços: de dez em dez anos, antecipar a dose de reforço se ocorrer nova gravidez cinco anos, ou mais, depois da aplicação da última dose. A dose de reforço deve ser aplicada 20 dias ou mais antes da data provável do parto.

Vacinas proibidas durante a gestação

Existem vacinas que são proibidas durante a gravidez, como a da febre amarela. O médico pode recomendar essa imunização somente para mulheres que residem em áreas endêmicas. Vacina contra a rubéola, caxumba, catapora, tuberculose, sarampo, HPV, rotavírus e varíola também não devem ser tomadas na gravidez.

No pós-parto, a mulher pode receber algumas vacinas e, nesse caso, os anticorpos chegam ao bebê por meio da amamentação. São elas: hepatite B, tríplice viral (caxumba, sarampo e rubéola), varicela HPV, hepatite A e meningocócita conjugada.

Converse com seu obstetra e tire todas as dúvidas sobre as vacinas e quais podem ser tomadas durante a gestação.

Segue um resumo das vacinas e sua associação com a gestação.

Imunização

Agente

Dose

Administração na gestação

Puerpério

Intervalo para outra gestação

Sarampo, Caxumba e Rubéola (tríplice viral)

Vacinas vivas atenuadas

Uma dose se não houver confirmação anterior de sorologia negativa

Não (imunização passiva-Imunoglobulina em caso de exposição)

Sim

1 mês

(Varicela)
Catapora

Vacinas vivas atenuadas

Duas doses

Não (imunização passiva-Imunoglobulina em caso de exposição)

Sim

1 mês

Influenza
(gripe)

Vacinas inativadas

Uma dose no período de contágio máximo (inverno) – sugestão: entre abril e maio

Sim

Sim

Nenhum

Difteria – Tétano – Coqueluche ou Pertussis (dTaP)

Vacinas inativadas

Uma dose a cada 10 anos

Sim

Sim

Nenhum

Difteria – Tétano 
(dT)

Vacinas inativadas

Uma dose a cada 10 anos

Sim (Situações de Risco)

Sim

Nenhum

Pneumocócica

Vacinas inativadas

Dose única para pessoas em situações especiais de risco

Sim

Sim

Nenhum

Hepatite A

Vacinas inativadas

Duas doses com intervalo de 6 meses

Sim (Situações de Risco)

Sim

Nenhum

Hepatite B

Vacinas inativadas

Três doses com intervalo de 1 mês entre a 1ª e a 2ª e de 5 meses entre a 2ª e a 3ª.

Sim

Sim

Nenhum

Meningocócica

Vacinas inativadas

Dose única para pessoas que têm histórico de contato

Sim

Sim

Nenhum
 

Raiva

Vacinas inativadas

Dose única para pessoas em situações de risco muito especiais

Sim (Situações de Risco)

Sim

Nenhum

Febre Amarela

Vacinas vivas atenuadas

Para habitantes de áreas endêmicas ou os que a elas se dirigem

Não (imunização passiva-Imunoglobulina em caso de exposição)

Sim

1 mês

HPV

Modificadas
geneticamente

Três doses – suspender no caso de gestação inesperada

Não

Sim

Após a 3ª dose

SBIM&FEBRASGO, Vacinação da Mulher, consenso 2010-2011